Pode ser da lua cheia
Pode ser do amor
Pode ser da criação
Pode ser da solidão
Pode ser da condição
Pode ser do dia não
Pode ser da química
Pode ser da quântica
Pode ser da semântica
29/05/2018
Que sítio?
Que sítio é este, que sítio?
Que me faz sentir coisas que não sei explicar
Que me mareja os olhos de rios
Que me toma de beleza triste
Que sítio é este, que sítio?
Que me faz imaginar e nostalgir
Que me leva ao sonho a à sua morte
Enquanto uma nuvem encobre o luar
Que sítio é este, que sítio?
Em cujos vales águas se encontram
Em cujas encostas poetas se debruçam
Em cujas esquinas tempos se cruzam
Que sítio é este, que sítio?
Que mais parece o meu próprio peito
Que me faz sentir coisas que não sei explicar
Que me mareja os olhos de rios
Que me toma de beleza triste
Que sítio é este, que sítio?
Que me faz imaginar e nostalgir
Que me leva ao sonho a à sua morte
Enquanto uma nuvem encobre o luar
Que sítio é este, que sítio?
Em cujos vales águas se encontram
Em cujas encostas poetas se debruçam
Em cujas esquinas tempos se cruzam
Que sítio é este, que sítio?
Que mais parece o meu próprio peito
Ir
Às vezes basta dar uns passos
Basta apanhar um comboio
Basta atravessar uma ponte
Basta passar um portão
Basta seguir um rio
Basta ir
Pode até ser o destino que nos move
Mas é o caminho que percorremos
Basta apanhar um comboio
Basta atravessar uma ponte
Basta passar um portão
Basta seguir um rio
Basta ir
Pode até ser o destino que nos move
Mas é o caminho que percorremos
Seja o que nos acrescenta
Teus olhos
Meus caracóis
Minhas flores
Teu jardim
Minha city of light
Teus gray skies
Meu dark in the middle
Teu bright way of life
Meus braços, abertos
Teu olhar, profundo
Meu terraço
Teu beijo
Minha Alfama
Tua cama
O teu nome
Nos meus lábios
A minha língua
Na tua boca
Meus caracóis
Minhas flores
Teu jardim
Minha city of light
Teus gray skies
Meu dark in the middle
Teu bright way of life
Meus braços, abertos
Teu olhar, profundo
Meu terraço
Teu beijo
Minha Alfama
Tua cama
O teu nome
Nos meus lábios
A minha língua
Na tua boca
25/05/2016
Would you?
Would you rather be a window shopper?
Gaze at life behind safe glass
Dreaming of what could if you just would
Paying no money wasting your time
Protecting from pleasure feeling the pain
Knowing the wind by the waving trees
Grasping spring through dressed up mannequins
Gaze at life behind safe glass
Dreaming of what could if you just would
Paying no money wasting your time
Protecting from pleasure feeling the pain
Knowing the wind by the waving trees
Grasping spring through dressed up mannequins
06/02/2016
Carol
O barulho de um comboio. Uma grade. Que é chão, respiradouro. É entre o aprisionamento e a evasão que esta história se vive. O balcão para além do qual não se pode passar. O comboio em círculos. O casamento imposto. As visitas condicionadas. A moral instituída. O amor convencionado. Com Carol e Therese olhamos pelo canto do olho, por trás de janelas, por entre flocos de neve, através de uma objectiva. Respiramos por entre as grades da vida. E cumprimos o desejo de evasão em viagem, onde o carro, cujos assentos recebem o espraiar e servem de aconchego, nos levar. Ainda que aquilo a que chamam casa ensombre o rosto e o destino. No caminho, apesar de e para além de, o amor encontra um meio (uma mão encontra um ombro, que encontra outra mão), para logo ser ameaçado com o fim. Mas há algo que nos chama e ao qual temos de atender. Umas luvas deixadas para trás. Um telefonema em suspenso. Uma carta recebida. Um vislumbre através da janela. Uma mão no ombro. Por isso, caminhamos, apesar de todas as ameaças e de todos os medos. Em câmara lenta, como na tv. Para um novo lugar, para uma nova viagem. Para casa.
31/01/2016
(Eu) Largo
Mar
alto, camisola folgada, avenida espraiada, céu aberto, horizonte.
Lugar
que não (se) contém, mas onde os outros confluem.
Soltar,
deixar ir, deixar correr.
Não agarrar,
não segurar, não reter.
(Desistir,
não gosto de o dizer. Não insistir, outra maneira de ver.)
Não
prender. E, por consequência, não perder.
24/01/2016
Curva e contra a mesma
Curva do joelho, contracurva cotovelo
Essa brisa-furação despenteia-me o cabelo
Zap no programa, olha o zip do vestido
Bang-bang coração por sussurrar-te ao ouvido
Rio da má sorte, menos maré que marinheiro
E mergulho de cabeça em poliban de chuveiro
Chapéu já se sabe só sai quando não cai pingo
E eu não acerto linha quanto mais cartão de bingo
Humor de perdição, amor meu de encontro ao peito
Faz ver só qualidades onde o outro acha defeito
Lentes de paixão, antes míope sempre fosse
Confesso o meu amor, era uma vez, já está, acabou-se08/01/2016
Sinais
Fora do teatro, onde a vida se contou em sinais, está o que
lhes dá origem. O homem que escolhe uma peça de roupa como quem procura uma
vida nova que lhe sirva. Os tupperwares que se distribuem por quem tem fome mas
não comida. O abrigo que se imprime no colete e se dá a céu aberto. A porta do
edifício neoclássico que se transforma em baliza de penaltis de vida súbita. Os
táxis que levam para casa quem a tem e para o hotel quem dela temporariamente
folgou. Os grupos que saem de jantares bem regados desmoídos em direcção ao
próximo copo. A árvore que anuncia um nascer a quem dorme pela existência ou
morre um pouco todos os dias. A estrela no seu topo que parece arranhar o céu
escuro monocromático da cidade. Os repuxos da fonte que lembram momentos de
erupção e simultaneamente recordam que o que sobe tem de descer. E em baixo, no
chão, este tapete português onde, não importa o que calçamos, todos andamos.
18/10/2015
Verão passado
Caminho na areia
De olhos no chão
Procurando a pedrinha
Que era o meu coração
Entreguei-a ao teu cuidado
Num momento de embriaguez
Agora não posso pedi-la outra vez
Perdeu-se na rebentação
Há que aceitar
Atravessa o deserto
No fundo do mar
Um dia talvez
Como garrafa a boiar
Aos meus pés na praia
Venha parar
E no fim da viagem
Voltará para o meu peito
Para bater por mim
Pois para isso foi feito
De olhos no chão
Procurando a pedrinha
Que era o meu coração
Entreguei-a ao teu cuidado
Num momento de embriaguez
Agora não posso pedi-la outra vez
Perdeu-se na rebentação
Há que aceitar
Atravessa o deserto
No fundo do mar
Um dia talvez
Como garrafa a boiar
Aos meus pés na praia
Venha parar
E no fim da viagem
Voltará para o meu peito
Para bater por mim
Pois para isso foi feito
30/06/2015
Olhar
De cabeça para baixo
De dentro para fora
Da água para o fogo
Da brisa para o vento
Eu a olhar
Da esquiva para a roda
Da areia para a onda
Do pé para a rebentação
Do que há para a revolução
Eu a olhar
Da criança para a outra
Da batida para a voz
Do lábio para o sorriso
Daqui para outro mar
Eu a olhar
Sorrir
E deixar escapar
De dentro para fora
Da água para o fogo
Da brisa para o vento
Eu a olhar
Da esquiva para a roda
Da areia para a onda
Do pé para a rebentação
Do que há para a revolução
Eu a olhar
Da criança para a outra
Da batida para a voz
Do lábio para o sorriso
Daqui para outro mar
Eu a olhar
Sorrir
E deixar escapar
10/06/2015
22/04/2015
Enxertos
Aviões que aterram em arbustos
Guindastes que pendem do céu
Ramos que brotam de candeeiros
Pombos que nascem de telhados
Colegiais que despontam de uniformes
Amantes que crescem da relva
Solitários que emergem de bancos
de jardim
Guindastes que pendem do céu
Ramos que brotam de candeeiros
Pombos que nascem de telhados
Colegiais que despontam de uniformes
Amantes que crescem da relva
Solitários que emergem de bancos
de jardim
08/04/2015
Postcards from where
Ele tinha na parede uma foto de uma largada de toiros em Vila Franca. Eu coloquei na minha a imagem de um lago termal em Grindavik. Hoje, catorze anos depois, dei-me conta de que os nossos quartos tinham vista para o país do outro.
26/03/2015
Dos corpos celestes
Sopra forte lá fora
Não me importa o vento
O meu cabelo não conhece pente
Dentro corre uma brisa curiosa
Ora me embala ou me abandona
O coração despenteado
Não me importa o vento
O meu cabelo não conhece pente
Dentro corre uma brisa curiosa
Ora me embala ou me abandona
O coração despenteado
20/02/2015
La donna è vulnerabile
Curiosa esta coisa dos afectos, das identificações e das sintonias. Há momentos em que tudo parece bater certo, encaixar. Momentos raros, valiosos, encantados.
Como tudo o que é encantado, estes momentos quebram-se com facilidade. As distracções e as insinceridades, que, na música dos GNR conduzem ao choque frontal, conduzem também à quebra pelo desencontro, fatal ou não. Basta distrairmo-nos ou fecharmo-nos um pouco para as peças não encaixarem da mesma forma.
Exigente este balanço de atenção e de abertura, para connosco, para com o outro e para com a vida, sem cair na expectativa e na dependência.
E exigente a resposta à pergunta, lamechas, de quem tem cu. Poderei guardar-me da dor sem me guardar do amor? O Tim diz que não.
Como tudo o que é encantado, estes momentos quebram-se com facilidade. As distracções e as insinceridades, que, na música dos GNR conduzem ao choque frontal, conduzem também à quebra pelo desencontro, fatal ou não. Basta distrairmo-nos ou fecharmo-nos um pouco para as peças não encaixarem da mesma forma.
Exigente este balanço de atenção e de abertura, para connosco, para com o outro e para com a vida, sem cair na expectativa e na dependência.
E exigente a resposta à pergunta, lamechas, de quem tem cu. Poderei guardar-me da dor sem me guardar do amor? O Tim diz que não.
03/02/2015
04/01/2015
Sim, é sempre num lugar como tu
O que se quis.
O que foi e já não é.
A falsa promessa da durabilidade.
A realidade que se impõe.
O sonho perdido.
As ruínas arquitectónicas, por esse país e mundo fora, são metáforas para as da vida, de todos e de cada um, que trazemos dentro.
Eu, que sou míope e tenho na História e nas histórias as minhas disciplinas preferidas, sou, naturalmente, fascinada por elas. Mas ultimamente tenho questionado se devo assumir esse fascínio, ou praticar, antes, o presente, a criação, o futuro, a novidade.
Serão estas posições mutuamente exclusivas? Ou poderão as ruínas ser construtivas? Poderei ter o novo, (para) além do velho?
Ao saltar a barreira imaginária que separa o 2014 do 2015, desejei passar, simbolicamente, da ruína para a edificação. Não deixa de ser curioso que uma casa em construção e uma que soçobrou tenham algo de semelhante.
Feliz 2015.

O que foi e já não é.
A falsa promessa da durabilidade.
A realidade que se impõe.
O sonho perdido.
As ruínas arquitectónicas, por esse país e mundo fora, são metáforas para as da vida, de todos e de cada um, que trazemos dentro.
Eu, que sou míope e tenho na História e nas histórias as minhas disciplinas preferidas, sou, naturalmente, fascinada por elas. Mas ultimamente tenho questionado se devo assumir esse fascínio, ou praticar, antes, o presente, a criação, o futuro, a novidade.
Serão estas posições mutuamente exclusivas? Ou poderão as ruínas ser construtivas? Poderei ter o novo, (para) além do velho?
Ao saltar a barreira imaginária que separa o 2014 do 2015, desejei passar, simbolicamente, da ruína para a edificação. Não deixa de ser curioso que uma casa em construção e uma que soçobrou tenham algo de semelhante.
Feliz 2015.
28/12/2014
(Re)Encarnação
Hoje fui passear a um lugar construído a pensar que a vida ía ser de uma maneira. E depois foi de outra. Vi fantasmas do que foi, promessas do que alguém queria que tivesse sido e adaptações mais ou menos bem-sucedidas ao que é (ou ao que se quer que seja).
Vi paredes que, por acusarem a passagem do tempo, parecem ter parado nele. Sem gente dentro, com gente por dentro. Casas que parecem ter respirado as pessoas.
Vi o café central que já não fica no meio. O mercado onde já ninguém merca. A Rua dos Lojistas onde não os há.
Vi santos de azulejo a abençoar a vida que já aconteceu. Placas a alertar para cães que já guardaram. Vivendas com 4 quartos para as famílias que já não (o) são.
Vi transplantes, cirurgias plásticas e reencarnações. Corpos que perderam as suas almas, almas novas que mataram os velhos corpos e novos corpos que nasceram no seu lugar.
Casas económicas, com topos de gama à porta.
Vi paredes que, por acusarem a passagem do tempo, parecem ter parado nele. Sem gente dentro, com gente por dentro. Casas que parecem ter respirado as pessoas.
Vi o café central que já não fica no meio. O mercado onde já ninguém merca. A Rua dos Lojistas onde não os há.
Vi santos de azulejo a abençoar a vida que já aconteceu. Placas a alertar para cães que já guardaram. Vivendas com 4 quartos para as famílias que já não (o) são.
Vi transplantes, cirurgias plásticas e reencarnações. Corpos que perderam as suas almas, almas novas que mataram os velhos corpos e novos corpos que nasceram no seu lugar.
Casas económicas, com topos de gama à porta.
01/11/2014
Da vida
Sentimentos, tão iguais que podiam ser públicos
Em corpos, aparentemente, particulares
Pecados, tão originais, repetidos
Em linha de montagem, como primeira vez
Corações, tão estrondosos, em surdina
Sob as caras cujos olhos não os veem
Mas... estações, passageiras, onde (só) tu sabes estar
Para lá de relógios partidos e horários trocados
Viagem maior, sem sair do lugar
Por dentro e por fora, sempre a mudar
Em corpos, aparentemente, particulares
Pecados, tão originais, repetidos
Em linha de montagem, como primeira vez
Corações, tão estrondosos, em surdina
Sob as caras cujos olhos não os veem
Mas... estações, passageiras, onde (só) tu sabes estar
Para lá de relógios partidos e horários trocados
Viagem maior, sem sair do lugar
Por dentro e por fora, sempre a mudar
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